Parintins é uma cidade do interior amazonense.
Com pouco mais de 50 mil habitantes, encontra-se
a 420 quilômetros a leste
de Manaus por via fluvial e está
localizada à margem direita do
rio Amazonas na Ilha Tupinambarana.
Limpa e aconchegante, Parintins está
cercada de festas durante os dias do Festival,
nos bares, nas praças e nas principais
ruas da cidade. Os torcedores dos bois
aproveitam para ensaiar as toadas e as
coreografias que mais tarde, serão
apresentadas no Bumbódromo.
PARINTINS: A ILHA DIVIDIDA PELOS
BOIS GARANTIDO E CAPRICHOSO
Entre o azul e o vermelho
Parintins é uma ilha no rio Amazonas,
perto da divisa com o Pará, com
várias belezas naturais, como o lago da Valéria e o rio Uaicurapá,
onde de agosto a fevereiro, surgem belas
praias. No entanto, a grande atração
é a festa do boi-bumbá,
sempre no último final de semana
de junho.
Durante todo o ano a cidade se prepara
para a apresentação dos
bois Garantido (vermelho)
e Caprichoso (azul),
que num desfile de três horas por
noite, contam lendas indígenas
com figuras regionais típicas.
A expectativa é tão grande,
que as dimensões da festa ultrapassaram
os limites da pequena cidade. No mês
de junho chegam cerca de 100 mil visitantes
a Parintins que, devido à pouca
infra-estrutura (não há
muitos hotéis e pousadas), hospedam-se
nas casas dos próprios moradores
ou em barcos.
Mas, antes da festa em Parintins, os grupos,
que cantam as toadas dos bois Garantido e Caprichoso, e dividem
a ilha do rio Amazonas, vão a Manaus
fazer apresentações. Assim,
as pessoas aprendem as coreografias para
começar a animação.
Os ensaios, que ocorrem nos currais do Clube Olímpico e do Sambódromo,
começam às oito da noite
e vão até às 5h da
manhã.
O acesso a Parintins é feito por
avião, com vôos diários
de 1h20min de Manaus ou de Santarém,
ou 26h de barco de Manaus e 20h de Santarém.
APRESENTAÇÕES
Hoje a data do Festival é
móvel mas sempre ocorre no último
final de semana de junho. Durante 6 horas
por dia, um espetáculo surpreendente
é encenado por cerca de 3.500 brincantes
em cada boi, que encantam nativos e turistas.
Garantido e Caprichoso disputam na arena,
palco da grande festa, a evolução
de seus rituais. Marcada pela magia de
suas fantásticas figuras saídas
do imaginário amazônico,
as apresentações baseiam-se
nas lendas que cruzaram gerações
para reviverem sua força na temática
de cada boi. A vida do homem amazônico
é registrada numa ópera
popular, onde todos participam brincantes
e o público em geral, num grande
coro humano, cantando e dançando
ao som das toadas. As alegorias gigantescas
que são confeccionadas por artistas
parintinenses, que com certeza trazem
nas mãos a sabedoria da floresta
e enriquecem a festa num ritual de cor,
imponência e beleza. As apresentações
atraem um público de 80 mil pessoas
aproximadamente, dos quais cerca de 40
a 50 mil, são visitantes.
BUMBÓDROMO
O
Bumbódromo de Parintins foi inaugurado
em junho de 1988 e aberto para o XXII
Festival Folclórico. Tem o formato
estilizado de uma cabeça de boi
e sua capacidade está estimada
em 35.000 espectadores distribuídos
na Tribuna de Honra, camarotes, arquibancadas
especiais, cadeiras numeradas e arquibancada
geral. Está localizado no centro
da cidade e literalmente divide as nações
azuis e vermelhas, pois fica entre o centro
da cidade (tradicionalmente, o lado azul)
e a Baixa do São José (bairro
onde nasceu o Boi Garantido). Na arena
os bumbás consagram os opostos:
silêncio e barulho - quando um boi
se apresenta a torcida do outro fica absolutamente
quieta para não perder ponto. A
vitória e a derrota, a alegria
e a tristeza, a chegada e a despedida,
também traduzem o dualismo que
move a festa entre os contrários
Garantido e Caprichoso.
HISTÓRICO
Sempre
no último final de semana de junho,
alegorias montadas com ferro, madeira,
papelão, plástico, isopor,
sementes e penas transformam o boi, esse
pacato coadjuvante dos humanos, na maior
figura folclórica da Amazônia.
Parintins, 420 quilômetros a leste
de Manaus descendo o grande rio, na ilha
de Tupinambarana, quase divisa com o Pará,
pinta-se de azul e vermelho, respectivamente
as cores dos boi-bumbás Caprichoso
e Garantido, agremiações
que contam com mais de 3 mil membros cada.
É uma disputa que racha ao meio
a cidade com quase 100 mil habitantes.
Uma rivalidade que atrai mais de 50 mil
espectadores e faz alguns casais mais
fanáticos dormirem em camas separadas
durante o festival.
O Caprichoso, considerado o boi da “elite”,
vem com uma estrela na testa, enquanto
que o Garantido, o boi do “povão”,
traz o coração entre os
olhos. Todo ano, cada bumbá cria
um enredo para contar a história
de Pai Francisco, capataz de uma fazenda
no Nordeste, que para satisfazer o desejo
de sua mulher grávida, Mãe
Catarina, mata o melhor boi do patrão
e arranca-lhe a língua. O patrão,
furioso, quer matar o capataz, cuja única
saída é ressuscitar o boi.
Em uma festa herdada dos grandes nordestinos,
que chegaram durante o Ciclo da Borracha
os amazonenses acabaram por fundir tradições
para resgatar e valorizar a cultura indígena.
O Festival acrescenta, com detalhes as
lendas e a mitologia indígena da
região do Baixo Amazonas. Para
isso, foram acrescidos personagens como
a cunha-poranga (moça bonita) e
os taxuanas (chefes tribais). A dança
e a indumentária são inspiradas
nos rituais das tribos das Amazônia.
Até as noites de festa, que atraem
cada vez mais visitantes do sul do Brasil
e do exterior, são vários
meses de trabalho em galpões tão
humildes quanto calorentos. O desfile
poderia ser comparado ao de qualquer escola
de samba de primeiro grupo, se não
caracterizasse uma ofensa aos apaixonados
pelo praticamente toda a população
amazonense. As toadas-enredo são
sucessos de exportação musical
do Estado, tocadas ininterruptamente nas
rádios, residências, restaurantes,
bares, gaiolas – barcos de passeio
– e onde mais se puder imaginar.
Tanto fervor fez até a poderosa
Coca-Cola, patrocinadora do evento em
95, recuar e pedir autorização
à matriz, em Atlanta, para mudar
a cor de sua logomarca. Motivo: no Caprichoso
não entra vermelho.
O fanatismo quase religioso das duas torcidas
causa inveja a flamenguistas e corintianos.
Conta-se que a origem da rivalidade começou
em 1913, quando o repentista Emídio
Vieira se apaixonou pela mulher do rival
de viola Lindolfo Monteverde. Vieira fez
o desafio: “Este ano se cuide que
vou caprichar no meu boi”. Monteverde
deu o troco: “Pois capriche no seu
que eu garanto o meu”. A briga acabou
entrando para o folclore da cidade. Até
hoje, quem é adepto de um boi,
sequer fala o nome do outro, se referindo
a ele simplesmente como “o contrário”.
Só se veste de azul quem é
Caprichoso, e de vermelho, quem é
Garantido.
É um Bumbódromo –
uma espécie de arena com capacidade
para 40 mil pessoas, ao som das toadas,
que acontece o embate. E é importante
ficar atento, pois as personagens que
representam a lenda do boi-bumbá
podem surgir de qualquer lugar: do meio
das arquibancadas, pendurados em cabos
de aço ou pela porta de entrada.
A torcida, dividida, se envolve na coreografia
com dezenas de passos de seu boi do coração,
tornando o espetáculo ainda mais
grandioso e contando pontos na apuração.
O ápice é a representação
da morte do boi.
Para arrecadar fundos para a festa são
realizadas apresentações
no Sambódromo de Manaus. Mais recursos
são obtidos junto aos patrocinadores.
Os bois Garantido e Caprichoso ficaram
tão famosos que já encerraram
o Festival de Jazz de Montreux, em 1994.
Festival Folclórico de Parintins
(último final de semana de junho)
Local: Bumbódromo de Parintins.
Manaus-Parintins: 16 horas de barco na
ida, 29 a 30 horas na volta; uma hora
de avião.
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